A Rentokil Initial estabeleceu uma parceria com a Debug, iniciativa da Google, para desenvolver uma estratégia de controlo biológico do mosquito-tigre-asiático (Aedes albopictus), uma espécie invasora associada à transmissão de doenças como dengue e chikungunya.
A colaboração combina inteligência artificial, automatização e técnicas biológicas para reduzir a reprodução destes insetos, cuja presença tem vindo a aumentar em diferentes regiões europeias.
Em Portugal, o mosquito-tigre-asiático já foi identificado em 40 concelhos, segundo dados da Direção-Geral da Saúde apresentados no comunicado.
Inteligência artificial permite automatizar controlo de mosquitos
A parceria combina a experiência da Rentokil Initial no controlo de vetores com a tecnologia desenvolvida pela Debug.
A iniciativa da Google utiliza sistemas automatizados de criação de mosquitos e ferramentas de inteligência artificial para separar machos e fêmeas, permitindo preparar a libertação controlada de insetos.
A estratégia recorre a uma técnica de controlo biológico baseada na bactéria Wolbachia.
Os mosquitos machos libertados transportam uma estirpe específica desta bactéria que, ao acasalarem com fêmeas selvagens, impede a eclosão dos ovos.
Como os machos não picam os seres humanos, podem ser utilizados nesta abordagem sem representar o risco de picada associado às fêmeas.
O objetivo é reduzir progressivamente as populações locais de mosquito-tigre-asiático.
Ensaio em Roma registou redução de até 88% nos ovos férteis
A tecnologia foi desenvolvida através da colaboração entre a Debug e a ENEA, agência italiana dedicada à investigação e inovação tecnológica.
Num ensaio realizado durante dois anos numa área suburbana de Roma, com 53 hectares, a utilização da estirpe ARwP permitiu alcançar uma redução de até 88% na produção de ovos férteis de mosquito-tigre-asiático, comparativamente com as áreas de controlo, durante a época de 2025.
Os resultados demonstram o potencial da tecnologia como ferramenta complementar às estratégias tradicionais de controlo de mosquitos.
Barcelona recebeu mais de 1,5 milhões de mosquitos machos
A parceria avançou também para uma aplicação operacional em Barcelona, em colaboração com a Agência de Saúde Pública local.
Durante o verão, foram libertados mais de 1,5 milhões de mosquitos machos, a uma média aproximada de 80 mil por semana.
A Debug ficou responsável pela criação dos insetos, enquanto a Rentokil e a Agência de Saúde Pública de Barcelona participaram na logística, libertação e monitorização das populações através de armadilhas.
A iniciativa pretende testar um modelo que possa ser adaptado a outros territórios europeus.
Expansão do mosquito-tigre-asiático preocupa autoridades de saúde
As alterações climáticas têm contribuído para prolongar os períodos de atividade dos mosquitos e favorecer a expansão de espécies invasoras.
Países como França, Itália e Espanha já registaram casos de transmissão local de dengue.
Em Portugal, apesar da presença do mosquito-tigre-asiático em diferentes regiões, o comunicado refere que não tinham sido identificados casos de transmissão local de doenças associados a este vetor.
Para Rubén Bueno Mari, entomologista e responsável pelo controlo de vetores na Europa da Rentokil, a integração da estratégia Wolbachia permite atuar em diferentes fases do ciclo de vida dos mosquitos.
Já Linus Upson, responsável pela Debug, destaca a importância de combinar diferentes técnicas para responder ao crescimento desta ameaça.
A parceria representa uma aplicação da inteligência artificial à saúde pública, procurando desenvolver soluções de controlo biológico que possam ser implementadas em maior escala na Europa.
