Durante anos, a transformação digital no setor de compras esteve focada na automatização. Plataformas digitais, workflows, dashboards e análise de dados tornaram-se parte da operação diária de muitas empresas. Mas o mercado está agora a entrar numa nova fase: o desafio deixou de ser recolher informação e passou a ser transformar essa informação em decisões inteligentes.
É essa a principal conclusão defendida pela Stratesys, que alerta para uma mudança estrutural no procurement moderno: as organizações precisam de integrar inteligência operacional em tempo real para reduzir riscos, acelerar processos e responder melhor à crescente complexidade da cadeia de abastecimento.
A digitalização já não é suficiente
Nos últimos anos, a função de compras acelerou a adoção tecnológica impulsionada por necessidades de eficiência, resiliência e capacidade de antecipação. No entanto, muitas organizações continuam presas a processos lentos, validações manuais e informação fragmentada.
O problema não está na ausência de tecnologia. Está na incapacidade de ligar dados, automação e capacidade de decisão dentro do próprio fluxo operacional.
Segundo previsões da Gartner, até 2027 metade das organizações irá apoiar a negociação de contratos com ferramentas de inteligência artificial. Ainda assim, apenas 29% das empresas da cadeia de abastecimento desenvolveram capacidades consideradas críticas para responder aos desafios futuros.
O cenário revela uma contradição crescente: as empresas estão mais digitalizadas, mas nem sempre mais inteligentes na forma como operam.
O onboarding de fornecedores continua a ser um ponto crítico
Um dos maiores exemplos desta lacuna está nos processos de qualificação e onboarding de fornecedores.
Em muitas empresas, estas operações continuam dependentes de múltiplos formulários, validações dispersas entre departamentos e verificações de risco feitas manualmente. O resultado traduz-se em tempos de onboarding elevados, menor capacidade de escalar operações e decisões baseadas em informação desatualizada.
Num contexto em que cadeias de abastecimento precisam de responder rapidamente a alterações de mercado, pressão regulatória e instabilidade global, esta lentidão começa a ter impacto direto na competitividade.
O procurement está a tornar-se mais inteligente
A Stratesys defende que a próxima evolução do procurement passa por três pilares: informação em tempo real, integração operacional e automatização inteligente.
Na prática, isto significa construir operações capazes de reagir automaticamente a riscos, acelerar validações, melhorar conformidade regulatória e reduzir dependência de tarefas manuais.
Mais do que recolher dados, o objetivo passa a integrar inteligência diretamente no processo de decisão.
É precisamente aqui que tecnologias de IA, automação avançada e plataformas integradas começam a ganhar relevância estratégica. Ferramentas como SAP Ariba ou soluções inteligentes de qualificação de fornecedores já estão a ser usadas para transformar procurement numa função mais preditiva e menos reativa.
A vantagem competitiva está na capacidade de agir
A transformação do procurement mostra uma tendência cada vez mais transversal ao mundo empresarial: digitalizar deixou de ser diferenciador.
A verdadeira vantagem competitiva está agora na capacidade de transformar tecnologia em decisões rápidas, contextualizadas e eficazes.
Num cenário marcado por maior pressão operacional, cadeias de abastecimento voláteis e necessidade de eficiência contínua, as organizações que conseguirem operar com inteligência integrada terão uma vantagem clara sobre quem continua apenas a acumular informação.
