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      IA está a distorcer a aprendizagem da História e investigadores já alertam risco

      · Atualidade

      A inteligência artificial está a tornar-se uma ferramenta cada vez mais comum no ensino, mas um novo estudo internacional alerta para um problema que pode ter consequências profundas: sistemas de IA estão a produzir erros históricos, narrativas contraditórias e informação fabricada com aparência de credibilidade.

      A conclusão surge de uma investigação internacional liderada por investigadores da Universidade de Notre Dame, nos Estados Unidos, e do Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra, baseada em mais de 3.500 interações com sistemas de inteligência artificial em sete línguas diferentes.

      Quando a IA inventa História

      O estudo identificou erros sistemáticos em plataformas de IA generativa, incluindo referências a documentários inexistentes, datas incorretas e acontecimentos históricos fabricados.

      Entre os exemplos encontrados estão a colocação errada da Operação Nó Górdio em Moçambique, a omissão da independência da Guiné-Bissau e a geração de versões contraditórias do mesmo acontecimento dependendo da língua utilizada na pergunta.

      O problema, segundo os investigadores, não está apenas nos erros isolados. Está na forma como estes sistemas apresentam respostas falsas com um nível de confiança e autoridade que pode facilmente enganar utilizadores.

      Num contexto em que estudantes recorrem cada vez mais à IA para estudar, resumir conteúdos e pesquisar informação, o impacto pode ser significativo.

      Portugal pode estar particularmente exposto

      Os investigadores alertam que a língua portuguesa poderá enfrentar riscos acrescidos devido ao menor volume de dados disponíveis para treino destes modelos quando comparado com línguas dominantes como o inglês.

      Isso pode aumentar a probabilidade de distorções, simplificações excessivas ou reprodução de perspetivas incompletas em temas historicamente sensíveis.

      O estudo sublinha ainda que cerca de 80% dos estudantes universitários em Portugal já utilizam ferramentas de IA no quotidiano, enquanto muitas instituições de ensino continuam sem regras claras para o uso destas tecnologias.

      A preocupação deixa de ser apenas tecnológica. Passa a ser também educativa, cultural e democrática.

      O problema vai além da sala de aula

      Os autores defendem que o risco não está apenas na aprendizagem individual. Está na erosão gradual de uma base factual comum necessária para o debate público.

      Se diferentes utilizadores recebem versões contraditórias da História dependendo da língua, contexto ou formulação da pergunta, o impacto pode alargar-se à construção de memória coletiva e à forma como acontecimentos históricos são interpretados pelas novas gerações.

      A IA generativa não está apenas a responder perguntas. Está a participar ativamente na mediação do conhecimento.

      Investigadores pedem intervenção urgente

      Perante este cenário, o policy brief enviado à Comissão de Educação da Assembleia da República propõe várias medidas, incluindo a criação de um grupo de trabalho nacional sobre IA na educação, orientações para o ensino superior e mais investimento em investigação sobre os impactos destas ferramentas.

      Os investigadores defendem também que o tema deve ser integrado na implementação do AI Act europeu em Portugal.

      À medida que a inteligência artificial ganha espaço na educação, a discussão já não pode limitar-se à produtividade ou conveniência. A questão passa agora por garantir que tecnologia e conhecimento evoluem lado a lado sem comprometer rigor, contexto e verdade factual.

      Sobre o estudo:

      O policy brief resulta de um consórcio internacional de investigação e analisa o impacto de sistemas de IA na construção de narrativas históricas, com foco no seu uso em contexto educativo. Os resultados que informam estas recomendações foram gerados no contexto de um consórcio internacional que inclui também investigadores da Universidade Católica da Croácia e da KU Leuven, na Bélgica.

      DOWNLOAD DO DOCUMENTO

      Sobre os autores:

      ● Nuno Moniz (Universidade de Notre Dame) é investigador na Universidade de Notre Dame e coordena o consórcio internacional de investigação, trabalhando na interseção entre inteligência artificial, sociedade e políticas públicas.

      ● Miguel Cardina (CES, Universidade de Coimbra) é investigador no Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra, especializado em história contemporânea e memória histórica.

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