O smartphone ou computador escolhido para o regresso às aulas pode depender de muito mais do que preço, desempenho ou funcionalidades. Um estudo promovido pela refurbed e conduzido pela Appinio revela que 66% dos portugueses já viveram ou presenciaram situações em que as preferências dos jovens levaram a gastos em tecnologia superiores ao inicialmente previsto.
A pressão social surge como uma das principais explicações, mostrando como marcas, tendências e equipamentos utilizados pelos amigos podem influenciar as decisões tecnológicas das famílias.
"Todos os amigos têm" pesa na decisão
De acordo com o estudo, 53% dos inquiridos consideram que fatores como marca, estatuto ou grupo de pares são o principal elemento por detrás das escolhas tecnológicas dos jovens.
Outros 34% reconhecem alguma influência social, embora considerem que esta é equilibrada com fatores funcionais.
Apenas 6% acreditam que as decisões são tomadas exclusivamente com base nas funcionalidades e qualidade dos equipamentos.
Um dos dados mais reveladores está nos argumentos utilizados para justificar determinada compra: 31% identificam "todos os amigos têm o mesmo modelo" como a justificação mais frequente, acima de argumentos relacionados com desempenho ou durabilidade.
Adultos continuam a ter a palavra final
Apesar da influência exercida pelos mais novos, isso não significa que sejam eles a tomar a decisão final.
Apenas 11% dos participantes consideram que os jovens decidem autonomamente qual o equipamento comprado.
Em 32% dos casos, quem suporta financeiramente a compra mantém a palavra final. Nas restantes situações, existe negociação entre adultos e jovens ou as preferências iniciais acabam por ser adaptadas à decisão familiar.
Os resultados assumem particular relevância durante o regresso às aulas, período tradicionalmente associado a despesas adicionais para as famílias.
Recondicionados podem ser alternativa
O estudo analisou também a abertura dos jovens aos equipamentos recondicionados, num momento em que smartphones, tablets e computadores representam uma parcela significativa dos orçamentos familiares.
Em sentido contrário, 18% antecipam uma recusa imediata. Para 29%, a aceitação dependeria de uma maior compreensão dos benefícios associados aos equipamentos recondicionados.
Esta alternativa permite cruzar duas preocupações: reduzir o custo da compra e prolongar a vida útil dos equipamentos eletrónicos.
Tecnologia também é uma decisão social
O estudo foi realizado pela Appinio entre 2 e 9 de julho de 2026, envolvendo mil participantes portugueses entre os 18 e os 65 anos.
Os resultados mostram que as decisões de compra tecnológica não dependem apenas de especificações técnicas ou preço. O contexto social e a perceção associada às marcas continuam a ter influência relevante, especialmente entre consumidores mais jovens.
Num mercado caracterizado por ciclos frequentes de lançamento de smartphones, computadores e outros dispositivos, compreender estes comportamentos torna-se relevante tanto para as famílias como para fabricantes e retalhistas.
Ao mesmo tempo, a maior abertura aos equipamentos recondicionados poderá indicar uma mudança gradual na forma como preço, sustentabilidade e desejo por tecnologia são equilibrados no momento da compra.
