A igus apresentou o i.Cee², um novo módulo industrial desenvolvido para facilitar a adoção de monitorização e manutenção preditiva sem obrigar as empresas a implementar infraestruturas informáticas complexas.
Instalado diretamente no quadro elétrico de uma máquina, o equipamento consegue recolher, processar e visualizar informação proveniente de diferentes sensores, permitindo acompanhar parâmetros como ciclosi, temperatura, humidade ou forças.
Dados são processados diretamente no local
Uma das principais características do i.Cee² é a possibilidade de processar a informação junto da própria máquina, em vez de depender exclusivamente de plataformas na cloud.
Esta abordagem de edge computing reduz a quantidade de dados que precisa de ser transferida, diminui a dependência da rede e permite obter tempos de resposta mais rápidos.
O sistema pode funcionar de forma autónoma sem ligação à Internet, embora continue a permitir a integração com plataformas externas, sistemas SCADA e MES, através de tecnologias como APIs REST e MQTT.
Para Richard Habering, responsável pela área de smart plastics da igus, a adoção da manutenção preditiva deve começar pela recolha de informação. A criação de um histórico permite identificar progressivamente correlações e compreender melhor o estado dos equipamentos antes de avançar para previsões mais sofisticadas.
Diferentes sensores podem ser integrados
O módulo disponibiliza quatro entradas e saídas analógicas e digitais, além de CAN bus, RS485, HDMI e duas portas RJ45.
Esta configuração permite ligar diferentes sensores disponíveis no mercado e utilizar o equipamento como uma plataforma de recolha e análise de dados independente.
O circuito de alimentação de 24 V DC foi também desenvolvido para operar em ambientes industriais com redes elétricas instáveis ou interferências eletromagnéticas, incluindo aplicações como pórticos e gruas.
Software open source reduz barreiras à entrada
A igus optou por integrar ferramentas de código aberto já utilizadas em projetos de análise e monitorização.
O ambiente inclui Node-RED, para programação visual, InfluxDB, para armazenamento de dados, e Grafana, para criação de dashboards e visualização da informação.
A combinação permite configurar fluxos de dados, criar painéis de acompanhamento e analisar relações entre diferentes indicadores sem exigir conhecimentos avançados de programação.
Ao mesmo tempo, a arquitetura permanece aberta à integração futura de novos algoritmos e métodos de análise baseados em inteligência artificial.
Manutenção passa de reativa a preditiva
A monitorização contínua procura permitir às empresas identificar sinais de desgaste ou anomalias antes de ocorrer uma falha, reduzindo paragens inesperadas e permitindo planear intervenções.
Num ambiente industrial onde energia, disponibilidade das máquinas e eficiência dos recursos têm impacto direto nos custos de produção, a utilização dos dados pode tornar-se uma ferramenta importante para melhorar processos.
Com o i.Cee², a igus procura reduzir uma das principais barreiras à manutenção preditiva: a necessidade de construir previamente uma infraestrutura tecnológica complexa para começar a recolher e utilizar os dados das máquinas.
