A próxima evolução da inteligência artificial poderá acontecer fora dos ecrãs. A chamada Physical AI está a levar capacidades de perceção, raciocínio e aprendizagem para robôs, veículos autónomos, drones e sistemas industriais, permitindo que as máquinas deixem de depender exclusivamente de instruções previamente definidas.
Segundo uma análise da GlobalData, a comercialização destas tecnologias começou a ganhar expressão em 2026 em setores como indústria, saúde, mineração, energia e transportes, devendo acelerar a partir de 2027.
O que distingue a Physical AI?
Ao contrário de um sistema tradicional programado para executar determinadas sequências, a Physical AI procura permitir que uma máquina interprete o ambiente e adapte as suas ações em função do que acontece à sua volta.
A tecnologia resulta da combinação de diferentes áreas, incluindo Internet of Things (IoT), IA generativa, IA agêntica, machine learning, world models, Vision-Language Models (VLM) e Vision-Language-Action Models (VLA).
O funcionamento assenta num ciclo contínuo composto por quatro etapas: perceção, raciocínio e contexto, aprendizagem e ação.
Para Bill Rojas, Research Director de Strategic Intelligence da GlobalData, esta evolução significa que a inteligência deixa de estar confinada ao universo digital. Os sistemas passam a adquirir competências através da interação com o mundo físico, adaptando, por exemplo, a força e o movimento às condições encontradas.
Robótica poderá acelerar a partir de 2027
A GlobalData considera que a adoção deverá acelerar à medida que diminuem os custos dos sistemas de atuação mais sofisticados e do hardware de edge computing e que os grandes modelos de linguagem continuam a evoluir.
Na prática, isto poderá permitir desenvolver robôs mais flexíveis, capazes de executar tarefas menos previsíveis e de trabalhar em ambientes onde as condições mudam constantemente.
A aplicação estende-se para além dos robôs humanoides. Veículos autónomos, drones e equipamentos utilizados em fábricas, minas ou infraestruturas energéticas podem também beneficiar da capacidade de interpretar e responder autonomamente ao mundo físico.
Ásia-Pacífico lidera corrida à Physical AI
Japão, China, Coreia do Sul, Taiwan, Singapura e Estados Unidos estão entre os mercados destacados pela GlobalData pelo investimento em investigação e implementação.
O Japão comprometeu 10 biliões de ienes, cerca de 63 mil milhões de dólares, para robótica avançada e inteligência artificial. A Nvidia criou também uma coligação com dez empresas e organizações especializadas em robótica.
Na China, o apoio está a ser coordenado entre governos central e locais, enquanto o 15.º Plano Quinquenal inclui mecanismos destinados ao financiamento e partilha de risco associados a estas tecnologias.
Regulação continua fragmentada
O avanço da Physical AI traz também um problema ainda sem uma resposta global: quem é responsável quando um sistema autónomo que atua no mundo físico comete um erro?
Segundo Nilesh Raghoo, Associate Analyst de Strategic Intelligence da GlobalData, ainda não existe legislação especificamente dedicada à Physical AI.
Estes sistemas estão atualmente sujeitos a uma combinação de regras relacionadas com maquinaria, segurança de produtos, responsabilidade de produto e legislação horizontal sobre inteligência artificial.
À medida que os sistemas inteligentes ganham maior autonomia e passam do software para máquinas capazes de atuar diretamente no mundo real, questões como segurança, responsabilidade e normalização deverão tornar-se tão importantes como os próprios avanços tecnológicos.
