A Critical Software, tecnológica portuguesa fundada em Coimbra, prevê terminar 2026 com cerca de 1.300 colaboradores, menos 200 do que os aproximadamente 1.500 registados no início do ano. A redução, equivalente a cerca de 13% do quadro de pessoal, está associada à crescente utilização de inteligência artificial e à transformação das funções no desenvolvimento de software.
A informação foi avançada pelo Expresso e divulgada pelo ECO, com declarações de João Carreira, CEO da Critical Software, que reconhece o impacto da inteligência artificial na organização do trabalho e nas necessidades de contratação da empresa.
Inteligência artificial transforma funções na Critical Software
A evolução das ferramentas de inteligência artificial está a alterar a forma como a Critical Software organiza os seus processos de desenvolvimento tecnológico.
Segundo João Carreira, algumas funções estão a tornar-se menos necessárias, enquanto outras são transformadas ou criadas à medida que a tecnologia evolui.
O responsável reconhece que as atividades mais repetitivas, nomeadamente nas áreas de programação e testes de software, estão entre as mais expostas à automatização.
Esta transformação poderá permitir que determinadas tarefas sejam realizadas com menor intervenção humana, alterando as competências exigidas aos profissionais e a composição das equipas.
A redução prevista de cerca de 200 trabalhadores representa uma mudança significativa para a tecnológica, que desenvolve soluções utilizadas em sistemas críticos.
Empresa investe oito milhões de euros em inteligência artificial
Apesar da redução prevista no número de colaboradores, a Critical Software está a realizar um investimento de aproximadamente oito milhões de euros em inteligência artificial.
O objetivo passa por integrar estas tecnologias nos processos internos e reforçar a produtividade das equipas de engenharia.
João Carreira defende que a empresa deve aproveitar o potencial da IA para ampliar as capacidades dos seus profissionais e reforçar a competitividade num mercado tecnológico em transformação.
A aposta pretende permitir que os engenheiros se concentrem em atividades de maior complexidade, enquanto determinadas tarefas repetitivas passam a ser apoiadas por ferramentas automatizadas.
Critical Software desenvolve tecnologia para setores críticos
Fundada em 1998, em Coimbra, a Critical Software especializou-se no desenvolvimento de sistemas e soluções tecnológicas para áreas em que a segurança, a fiabilidade e a precisão são particularmente importantes.
A empresa trabalha em setores como a aviação, ferrovia e indústria espacial, desenvolvendo software utilizado em aviões, comboios e missões espaciais.
Nestes contextos, a integração da inteligência artificial levanta também desafios relacionados com a validação dos sistemas, a qualidade do software e a necessidade de garantir elevados padrões de segurança.
A transformação dos processos de desenvolvimento poderá, por isso, exigir novas competências e formas de supervisão das tecnologias utilizadas.
Impacto da IA no emprego tecnológico ganha expressão em Portugal
A Critical Software junta-se a outras empresas tecnológicas com operações em Portugal que têm anunciado alterações nas suas estruturas de pessoal num contexto de crescente adoção da inteligência artificial.
Segundo o ECO, empresas como a Bhout, Defined.ai e Bitsight também têm sido associadas a processos de redução de trabalhadores.
A evolução destas organizações evidencia uma mudança no mercado de trabalho tecnológico, particularmente nas funções que envolvem tarefas repetitivas e processos suscetíveis de automatização.
Ao mesmo tempo, a utilização de inteligência artificial está a aumentar a procura de competências relacionadas com integração de sistemas, supervisão tecnológica e desenvolvimento de soluções mais complexas.
Reorganização poderá alterar perfil das equipas tecnológicas
A previsão de redução de cerca de 200 postos de trabalho na Critical Software demonstra como a inteligência artificial está a passar de ferramenta de apoio a fator de transformação das estruturas empresariais.
Embora a tecnologia possa aumentar a produtividade, a sua implementação está também a modificar as necessidades de recursos humanos e os perfis profissionais procurados pelas organizações.
No caso da Critical Software, a combinação entre investimento em IA e redução do quadro de pessoal representa uma nova etapa na estratégia tecnológica da empresa.
O desenvolvimento deste processo será particularmente relevante para compreender de que forma a inteligência artificial está a transformar o emprego qualificado e o futuro da engenharia de software em Portugal.
