A inteligência artificial está a transformar a creator economy, mas as maiores plataformas sociais parecem longe de concordar sobre qual deve ser o seu papel.
Enquanto o YouTube aposta em ferramentas que permitem aos criadores gerar versões digitais de si próprios através de IA, plataformas como Instagram e TikTok continuam a penalizar conteúdos considerados pouco originais.
O resultado é um cenário cada vez mais complexo para criadores de conteúdo, agências e marcas.
YouTube aposta nos avatares digitais
A mais recente funcionalidade do YouTube permite que criadores produzam vídeos utilizando versões digitais de si próprios geradas por inteligência artificial.
A ferramenta possibilita criar conteúdos a partir de simples instruções de texto, mantendo a identidade visual do criador original.
Apesar de os vídeos serem identificados como gerados por IA e estarem limitados ao canal do próprio criador, a iniciativa mostra uma clara aposta da plataforma na normalização deste tipo de conteúdo.
Instagram e TikTok seguem caminho diferente
Ao mesmo tempo, Instagram e TikTok têm reforçado sistemas de recomendação que reduzem a visibilidade de conteúdos considerados repetitivos ou reutilizados.
O problema, segundo especialistas, é que as plataformas não definem claramente onde termina o conteúdo assistido por IA e onde começa o conteúdo totalmente gerado por inteligência artificial.
Para marcas que operam em múltiplas plataformas, esta falta de alinhamento torna a estratégia mais difícil.
Está a nascer uma nova economia dos avatares
Segundo Donatas Smailys, CEO e cofundador da plataforma Billo, o mercado está a assistir ao surgimento de uma verdadeira "economia dos avatares".
O especialista considera que o modelo atual funciona porque muitos utilizadores ainda não conseguem distinguir facilmente conteúdos produzidos por pessoas de conteúdos produzidos por IA.
No entanto, alerta que a confiança que sustenta a creator economy foi construída ao longo de anos por criadores reais e não por algoritmos.
A confiança continua a ser o ativo mais importante
Dados recentes do Media Insight Project reforçam essa ideia.
O estudo concluiu que 57% dos inquiridos consomem conteúdos produzidos por criadores independentes, mas apenas 7% afirmam confiar fortemente nas informações partilhadas.
Quando questionados sobre o que torna um criador relevante, a transparência sobre conteúdos patrocinados foi considerada o fator mais importante, muito acima do número de seguidores.
O futuro da creator economy depende da credibilidade
Com o mercado global de avatares de IA a crescer rapidamente, especialistas acreditam que a discussão deixará de ser apenas tecnológica.
A questão central passará a ser a confiança.
Porque, apesar de a IA conseguir replicar rostos, vozes e comportamentos, continua a existir uma diferença difícil de automatizar: a credibilidade construída através da relação entre criadores e audiência.
