A discussão sobre o acesso de menores às redes sociais em Portugal reacendeu um debate mais amplo: estará na altura de repensar a identidade online?
A recente legislação que restringe a criação de contas por menores de 16 anos levanta questões estruturais sobre a forma como as plataformas gerem utilizadores e protegem comunidades digitais. A ESET defende que a solução poderá passar menos por proibições e mais por uma evolução do modelo de verificação de identidade.
O problema não desaparece aos 16 anos
Restringir o acesso por idade não elimina os riscos associados a conteúdos prejudiciais, abuso ou fraude. A transição automática para acesso livre aos 16 anos não resolve vulnerabilidades estruturais das plataformas.
A questão central é se o modelo atual, que permite criação de contas com identidades facilmente falsificáveis, continua adequado face ao panorama de phishing, burlas e desinformação.
Privacidade versus segurança
A verificação de identidade levanta preocupações legítimas sobre recolha e armazenamento de dados pessoais. Métodos baseados em reconhecimento facial ou documentos oficiais podem introduzir novos riscos se não forem devidamente protegidos.
No entanto, a ausência total de verificação também facilita abusos, anonimato tóxico e ataques direcionados.
Um modelo híbrido possível?
Uma alternativa seria permitir que os utilizadores escolhessem interagir apenas com contas verificadas. Este modelo não eliminaria completamente os riscos, mas poderia reduzir significativamente fraudes e comportamentos abusivos.
Aplicado a redes sociais, plataformas de encontros ou até email, um sistema de identificação verificada poderia criar uma camada adicional de proteção sem eliminar anonimato opcional.
Impacto no ecossistema digital
A adoção generalizada de identidades verificadas representaria uma mudança estrutural na Internet como a conhecemos. Plataformas que dependem do crescimento massivo de utilizadores poderiam enfrentar novas dinâmicas de retenção e monetização.
Ao mesmo tempo, utilizadores poderiam beneficiar de maior controlo sobre interações e conteúdos recebidos.
Uma redefinição inevitável?
O debate não se resume à proteção de menores. Trata-se de uma discussão sobre o equilíbrio entre liberdade digital, privacidade e responsabilidade. Para mais informações contacte a ESET.
