A discussão sobre a pegada ambiental da Inteligência Artificial (IA) tem ganho cada vez mais atenção, com críticas crescentes sobre o consumo energético dos grandes modelos de linguagem e infraestruturas associadas. Em resposta a estas preocupações, Sam Altman, CEO da OpenAI, tem vindo a relativizar estas críticas, sublinhando que muitos aspetos do consumo de energia são parte de um problema mais amplo — não exclusivo da tecnologia de IA.
Num momento em que empresas de tecnologia, reguladores e sociedade em geral procuram equilibrar inovação e sustentabilidade, as observações de Altman colocam o foco tanto nos custos energéticos como no valor que esta tecnologia pode proporcionar.
Energia e tecnologia: uma relação complexa
A expansão de modelos de IA generativa, como aqueles que alimentam assistentes virtuais e ferramentas de produtividade, tem levado a um aumento substancial na utilização de energia em centros de dados. Estes sistemas exigem poder computacional intenso durante o treino e a operação, o que naturalmente levanta questões ambientais.
No entanto, Altman argumenta que olhar apenas para a IA como um consumidor de energia é simplificar demasiado o problema. Muitos sectores da economia já dependem de energia de forma intensiva — desde a aviação à produção industrial — e, apesar disso, raramente enfrentam a mesma crítica pública que a tecnologia de IA recebe.
Humanos também consomem energia
Uma das ideias centrais defendidas por Altman é que os humanos também utilizam grandes quantidades de energia em atividades quotidianas, incluindo viagens, construções e até na utilização de serviços digitais sem IA. Segundo a sua visão, a construção, utilização e manutenção de sistemas tecnológicos fazem parte de um quadro energético mais vasto.
Este ponto de vista abre um debate mais amplo: em vez de focar apenas na pegada energética da IA, será mais eficaz avaliar o impacto ambiental de forma holística, considerando todos os setores e estilos de vida modernos?
Inovação com responsabilidade
Apesar de relativizar as críticas, Altman não ignora a necessidade de tornar a tecnologia mais sustentável. A indústria tecnológica como um todo tem investido em centros de dados mais eficientes, uso de energia renovável e otimização de algoritmos para reduzir o consumo desnecessário de recursos.
Para empresas e profissionais de tecnologia, este é um ponto de convergência importante: a inovação em IA deve andar de mãos dadas com práticas sustentáveis que minimizem o impacto ambiental sem sacrificar o potencial de transformação da tecnologia.
Uma conversa necessária
A posição de Altman reflete uma conversa mais ampla sobre como equacionar progresso tecnológico com sustentabilidade. À medida que modelos de IA se tornam mais integrados em sectores como saúde, educação, automação industrial e serviços financeiros, a discussão sobre energia, emissões e eficiência torna-se inevitável.
Especialistas defendem que a tecnologia pode, inclusive, ser parte da solução, ajudando a otimizar consumo em outros sectores através de análises avançadas, previsão de padrões energéticos ou gestão inteligente de redes eléctricas.
O impacto da IA vai além da energia
Ao desafiar a narrativa dominante sobre a pegada ecológica da IA, Sam Altman convida a um olhar mais abrangente sobre o papel da tecnologia no mundo contemporâneo. A IA não é apenas um consumidor de energia; é também potencial catalisador de soluções para reduzir desperdícios, aumentar eficiência e acelerar a transição para fontes de energia mais limpas.
Para o ecossistema tecnológico e inovador, esta discussão é um lembrete: desenvolver IA com impacto positivo exige visão estratégica, responsabilidade ambiental e entendimento profundo dos trade-offs entre custo e benefício tecnológico.
Fonte: Público
