O setor da distribuição e retalho em Portugal criou 21.900 postos de trabalho entre 2020 e 2025 e atingiu um investimento anual de 40,9 milhões de euros em formação, segundo o estudo “O Valor das Nossas Pessoas”, apresentado pela Associação Portuguesa de Empresas de Distribuição (APED) em parceria com a Forvis Mazars.
O documento analisa a evolução do emprego, as condições laborais, a diversidade e os desafios associados à transformação digital e à inteligência artificial.
Empresas associadas empregam mais de 155 mil pessoas
Segundo o estudo, as empresas associadas da APED empregam atualmente mais de 155 mil colaboradores, assumindo um papel relevante na criação de emprego em Portugal.
Entre os principais indicadores está a estabilidade laboral: 85% dos trabalhadores possuem contratos sem termo, acima da média nacional de 71%.
O investimento em formação cresceu 66% nos últimos cinco anos, atingindo os 40,9 milhões de euros em 2025.
Em média, cada colaborador recebeu 45 horas de formação, refletindo a aposta do setor no desenvolvimento de competências.
Mulheres ocupam 53% dos cargos de chefia
O estudo destaca também a presença feminina em posições de liderança, com as mulheres a ocuparem 53% dos cargos de chefia nas empresas analisadas.
O diferencial salarial ajustado entre homens e mulheres situa-se nos 2,7%, abaixo da média nacional de 10,8% indicada no documento.
A diversidade é outro dos indicadores destacados, com 62 nacionalidades representadas nas equipas.
Os jovens até aos 24 anos correspondem a 17% da força de trabalho, comparativamente aos 6% registados a nível nacional.
Inteligência artificial e talento marcam debate sobre o futuro
A apresentação do estudo contou com Gonçalo Lobo Xavier, Diretor-Geral da APED, Luís Pais Antunes, Presidente do Conselho Económico e Social, Pedro Mendes Silva, Head of Consulting da Forvis Mazars Portugal, e a jornalista Rosa de Oliveira Pinto.
O evento incluiu um debate sobre o futuro do retalho com Fernanda Correia, da Norauto Portugal, Francisco de Almeida, da Jerónimo Martins, Mafalda Lobo Xavier, da Sonae MC, e Sandrine Teixeira, do Lidl Portugal.
Um segundo painel, dedicado à diversidade e inclusão, reuniu Catarina Rosado, da Auchan Retail Portugal, Joaquim Almeida, da FNAC Darty Portugal, Susana Silva, do El Corte Inglés Portugal, e Vanessa Neves, da Perfumes & Companhia.
A inteligência artificial esteve também em destaque na apresentação “A armadilha da IA: O futuro do trabalho no retalho”, conduzida por Tiago Forjaz, Managing Partner da The Epic Talent Society.
Tecnologia deve complementar competências humanas
Para Gonçalo Lobo Xavier, a transformação digital representa um desafio que deve ser acompanhado pelo investimento nas pessoas.
"Temos a firme convicção de que a tecnologia deve estar ao serviço das pessoas, capacitando-as e acrescentando valor ao seu trabalho, e não o inverso", afirmou o Diretor-Geral da APED.
Também José António Nogueira de Brito, Presidente da APED, destacou a importância das competências humanas na evolução do setor.
"A qualificação tecnológica é fundamental e o nosso investimento prova-o, mas a tecnologia jamais substituirá a competência humana, a proximidade, o aconselhamento e a empatia que caracterizam o nosso serviço."
O estudo reforça, assim, a importância da qualificação, diversidade e adaptação tecnológica para a competitividade futura do retalho português.
