A inteligência artificial (IA) já não é uma promessa distante — é uma tecnologia em plena aplicação, com impacto direto na economia, na produtividade e na forma como os serviços públicos funcionam. No episódio “Quanto vale a IA para Portugal?” do podcast Tech Refresh, Filipa Brigola, responsável por assuntos governamentais e políticas públicas na Google Portugal, abordou exatamente esse potencial: quanto valor real a IA pode gerar para o país.
IA no setor público: um motor de crescimento económico
A aplicação de IA generativa na administração pública pode traduzir-se num aumento significativo da produtividade ao longo da próxima década. Ao automatizar tarefas repetitivas, analisar grandes volumes de informação e apoiar a tomada de decisão, a IA tem capacidade para gerar milhares de milhões de euros por ano para a economia portuguesa.
Mais do que uma ferramenta tecnológica, a IA surge aqui como um acelerador estrutural, capaz de tornar o Estado mais eficiente, mais ágil e mais sustentável a longo prazo.
Menos burocracia, mais tempo para o que importa
Um dos pontos centrais da conversa foi o impacto direto da IA no dia a dia dos funcionários públicos. Grande parte das tarefas administrativas pode ser otimizada com recurso a sistemas inteligentes, libertando tempo para atividades que exigem pensamento crítico, empatia e intervenção humana.
Para os cidadãos, isto traduz-se em processos mais simples, rápidos e acessíveis, desde pedidos de documentos até interações com diferentes entidades públicas. A tecnologia passa a trabalhar nos bastidores para melhorar a experiência de quem utiliza os serviços.
Casos práticos: IA ao serviço do cidadão
Já existem exemplos concretos de utilização de assistentes de IA em plataformas digitais do Estado, como o Gov.pt. Estes sistemas funcionam como um primeiro ponto de contacto, respondendo a dúvidas frequentes e encaminhando pedidos de forma automática.
Os resultados mostram que uma grande percentagem das interações pode ser resolvida sem necessidade de intervenção humana, reduzindo tempos de espera e a carga de trabalho dos serviços públicos.
Os desafios da adoção de IA em Portugal
Apesar do potencial, a adoção da IA no setor público enfrenta vários obstáculos. Entre os principais desafios destacam-se:
- Falta de uma estratégia transversal entre diferentes organismos;
- Preocupações com dependência tecnológica de fornecedores;
- Incerteza regulatória e necessidade de enquadramentos claros;
- Diferenças no nível de maturidade digital entre instituições.
Ultrapassar estas barreiras exige coordenação, visão estratégica e colaboração entre o Estado, empresas tecnológicas, universidades e sociedade civil.
Pessoas no centro da transformação digital
A tecnologia só cria valor quando as pessoas sabem utilizá-la. Por isso, a formação em competências digitais e IA é um fator crítico. Preparar estudantes, profissionais e decisores para trabalhar com estas ferramentas é essencial para garantir uma adoção responsável e eficaz.
Investir em talento é tão importante quanto investir em tecnologia — e será determinante para que Portugal consiga competir num cenário cada vez mais digital.
A pergunta “Quanto vale a IA para Portugal?” tem uma resposta clara: vale eficiência, crescimento económico e melhores serviços públicos. A inteligência artificial pode transformar profundamente a forma como o Estado funciona e como os cidadãos interagem com ele.
Com uma estratégia bem definida, investimento em competências e políticas públicas ajustadas, a IA pode deixar de ser apenas uma tendência tecnológica e tornar-se um pilar estratégico do desenvolvimento do país.
