Durante anos, a transformação digital das empresas passou pela implementação de plataformas de Business Intelligence, dashboards interativos e indicadores de desempenho cada vez mais detalhados. Estas ferramentas continuam a desempenhar um papel fundamental na gestão das organizações, mas a crescente complexidade dos mercados está a revelar uma limitação importante: visualizar dados já não é suficiente para tomar melhores decisões.
É precisamente esta mudança que a Stratesys, multinacional especializada em transformação digital, tem vindo a observar. Segundo a empresa, muitas organizações já evoluíram significativamente ao nível do reporting, da visualização e da governação de dados, mas continuam a depender de dashboards estáticos que mostram o que aconteceu, sem ajudar verdadeiramente a decidir o que fazer a seguir.
Da analítica descritiva à analítica acionável
Tradicionalmente, a analítica empresarial esteve focada em responder a perguntas como "Quais foram as vendas deste mês?" ou "Como evoluíram os custos operacionais?". Apesar de importantes, estas análises limitam-se a observar acontecimentos passados.
Hoje, as empresas procuram soluções capazes de responder a questões muito mais estratégicas: o que poderá acontecer nos próximos meses? Que impacto terá a subida do preço das matérias-primas? Qual a melhor decisão para aumentar a rentabilidade ou reduzir riscos?
Segundo a Stratesys, esta evolução representa a passagem da analítica descritiva para modelos verdadeiramente orientados para a tomada de decisão, onde os dados deixam de ser apenas informação histórica para se transformarem num instrumento de apoio ao negócio.
Os dashboards continuam importantes, mas já não chegam
Para Raúl Escudero, sócio-diretor da área de Data Management & Analytics da Stratesys, um dos maiores desafios passa precisamente pela forma como muitas organizações continuam a utilizar os seus dados.
Como refere o responsável, durante anos muitas empresas confundiram analítica com reporting. Embora os dashboards e os KPI continuem a ser ferramentas essenciais, deixam de ser suficientes quando a gestão precisa de compreender que decisões deve tomar para responder aos desafios do negócio.
Na prática, um dashboard pode apresentar dezenas de indicadores perfeitamente construídos, mas continuar incapaz de responder às questões que realmente influenciam o crescimento, a rentabilidade ou a eficiência operacional.
A Inteligência Artificial muda a relação com os dados
É neste contexto que começam a ganhar destaque a Inteligência Artificial, a analítica conversacional e os agentes inteligentes.
Ao contrário dos modelos tradicionais, estas soluções permitem interagir com os dados através de linguagem natural, explorar diferentes cenários e obter recomendações adaptadas às necessidades do negócio.
Em vez de navegar entre vários relatórios, um gestor pode perguntar diretamente ao sistema qual o impacto de uma alteração cambial nos resultados da empresa, quais os clientes com maior risco de abandono ou que produtos apresentam maior potencial de crescimento.
Além de reduzir o tempo necessário para analisar informação, estes sistemas ajudam a identificar padrões e relações que dificilmente seriam encontrados através de análises convencionais.
A procura por estes modelos está a aumentar
Esta mudança já se reflete na procura do mercado.
Segundo a Stratesys, desde o início de 2026 a empresa recebeu mais de 20 pedidos relacionados com analítica avançada, discovery e agentes inteligentes, refletindo um interesse crescente das organizações em evoluir para modelos de apoio à decisão mais inteligentes.
Para muitas empresas, o objetivo deixou de ser produzir mais relatórios. A prioridade passa agora por compreender melhor o negócio, antecipar cenários futuros e transformar informação em ações concretas.
O futuro da analítica empresarial
À medida que a Inteligência Artificial continua a evoluir, tudo indica que a forma como as empresas utilizam os seus dados irá mudar profundamente.
Os dashboards continuarão a existir, mas deixarão de ocupar o centro da estratégia analítica. Em seu lugar surgem plataformas capazes de conversar com os utilizadores, interpretar contexto, projetar cenários e apoiar decisões em tempo real.
Mais do que gerar informação, a próxima geração de soluções analíticas procura responder à pergunta que realmente interessa às organizações: qual é a melhor decisão a tomar neste momento?
