A inteligência artificial já faz parte do dia a dia de muitas empresas. No entanto, no episódio “Pensar com IA” do podcast Tech Refresh, fica claro que o verdadeiro impacto da IA não está apenas na sua utilização, mas na forma como é integrada desde o início da tomada de decisão. A conversa conta com a participação de Melissa Pairazamán, cofundadora da Bamble, que traz uma perspetiva prática e estratégica sobre o tema.
IA não é só uma ferramenta, é uma forma de pensar
Um dos pontos centrais abordados por Melissa Pairazamán é a necessidade de deixar de ver a inteligência artificial como um simples complemento tecnológico. Em muitas organizações, a IA surge apenas no final do processo, como uma solução rápida para automatizar tarefas ou analisar dados. Segundo a convidada, esta abordagem limita o potencial real da tecnologia.
Pensar com IA significa desenhar processos, produtos e estratégias já com a inteligência artificial em mente. É começar pelo problema, compreender o contexto do negócio e só depois decidir de que forma a IA pode acrescentar valor real. Esta mudança de mentalidade permite criar soluções mais eficientes, escaláveis e alinhadas com os objetivos da organização.
Do hype à aplicação prática
Ao longo do episódio, fica evidente que um dos maiores desafios atuais é separar o entusiasmo em torno da IA da sua aplicação prática. Nem todos os problemas precisam de inteligência artificial, e nem todas as soluções com IA geram impacto.
Para profissionais de tecnologia e inovação, a mensagem é clara: antes de escolher modelos, plataformas ou ferramentas, é essencial definir métricas, objetivos e resultados esperados. Só assim a IA deixa de ser um conceito abstrato e passa a ser um verdadeiro motor de transformação digital.
Esta abordagem é especialmente relevante para empresas que procuram crescer de forma sustentável, evitando investimentos tecnológicos que não se traduzem em valor para o negócio ou para o cliente.
Responsabilidade, ética e confiança
Outro tema relevante abordado na conversa prende-se com a responsabilidade no uso da inteligência artificial. À medida que os sistemas se tornam mais complexos, cresce também a responsabilidade de garantir transparência, equidade e segurança.
Melissa Pairazamán destaca que pensar com IA implica também pensar nas consequências. Questões como viés nos dados, explicabilidade dos modelos e privacidade da informação devem fazer parte da estratégia desde o início. Para além de uma obrigação ética, esta preocupação é cada vez mais um fator decisivo na confiança de clientes, parceiros e utilizadores.
IA como parte da cultura organizacional
A grande conclusão deste episódio do Tech Refresh é que a inteligência artificial deve ser encarada como parte da cultura da organização, e não apenas como tecnologia. Empresas que adotam esta visão conseguem inovar de forma mais consistente, tomar decisões mais informadas e adaptar-se mais rapidamente a um mercado em constante mudança.
Pensar com IA é, acima de tudo, uma mudança de mindset. E num cenário tecnológico cada vez mais competitivo, essa mudança pode ser o verdadeiro diferencial.
