Uma das principais razões apontadas pelos utilizadores para manter uma VPN desligada é o receio de que esta reduza significativamente a autonomia do smartphone. No entanto, um novo estudo independente realizado pela West Coast Labs sugere que essa perceção poderá estar longe da realidade.
Os testes, realizados em dispositivos Android e iOS, mostram que manter a NordVPN ativa durante um dia inteiro aumenta o consumo real da bateria em menos de 2%, contrariando uma das ideias mais persistentes sobre aplicações de segurança digital.
O problema pode estar na forma como o sistema mede a bateria
Segundo o estudo, o Android e o iOS atribuem à aplicação VPN praticamente todo o tráfego de dados que passa pelo dispositivo enquanto esta está ativa.
Na prática, atividades como ver vídeos, navegar na internet ou consultar o email aparecem associadas à VPN no relatório de utilização da bateria, mesmo que esse consumo existisse exatamente da mesma forma sem qualquer VPN ligada.
Durante uma sessão de streaming de vídeo, por exemplo, o sistema operativo chegou a atribuir cerca de metade do consumo energético à NordVPN. No entanto, as medições realizadas através de instrumentos de hardware revelaram que o impacto efetivo da VPN rondava apenas entre 1,6% e 2,1%.
Segundo Marijus Briedis, Chief Technology Officer da NordVPN, este comportamento contribuiu para criar um mito que continua a afastar muitos utilizadores das ferramentas de proteção da privacidade online.
Testes simulam um dia completo de utilização
A avaliação realizada pela West Coast Labs procurou reproduzir um cenário próximo da utilização real de um smartphone.
Foram testados seis dispositivos (três Android e três iPhone/iPad) ao longo de um ciclo completo de 24 horas que incluiu períodos de descanso, deslocações, trabalho, utilização doméstica e consumo de conteúdos.
Os resultados mostram que a VPN aumentou o consumo diário da bateria em apenas 1,4% nos dispositivos Android e 1,8% nos equipamentos iOS.
Mesmo em cenários considerados mais exigentes, como deslocações onde o telemóvel alterna constantemente entre Wi-Fi e dados móveis, a sobrecarga energética manteve-se bastante reduzida.
A evolução dos protocolos fez a diferença
Grande parte da má reputação das VPN em termos de consumo energético está associada ao protocolo OpenVPN, desenvolvido numa época em que os smartphones ainda não eram uma prioridade.
Hoje, soluções mais recentes recorrem a arquiteturas significativamente mais eficientes.
A NordVPN utiliza por defeito o NordLynx, baseado no protocolo WireGuard, que exige menos processamento para encriptar e transmitir informação.
Segundo o estudo, esta tecnologia consome cerca de 31% menos bateria em Android e 24% menos em iPhone quando comparada com o OpenVPN.
Além disso, durante períodos em que o telemóvel permanece inativo, o impacto adicional na autonomia foi inferior a 0,5% por hora.
Segurança e autonomia já não precisam de ser um compromisso
À medida que cresce a preocupação com privacidade, cibersegurança e proteção de dados, as VPN tornaram-se ferramentas cada vez mais relevantes para utilizadores individuais e empresas.
No entanto, muitos continuam a desativá-las por receio de comprometer a autonomia dos equipamentos.
Os resultados agora divulgados sugerem que, pelo menos nas soluções mais recentes, esse impacto é praticamente impercetível na utilização diária.
Mais do que desmistificar uma crença antiga, este estudo mostra como a evolução dos protocolos de segurança está a conseguir combinar proteção, desempenho e eficiência energética num único serviço.
