Durante anos, a presença digital de uma organização media-se sobretudo pelo website, pelo tráfego orgânico e pela capacidade de converter visitas em ações. Mas essa lógica está a mudar rapidamente com a ascensão dos motores de busca e assistentes baseados em inteligência artificial. E esta mudança pode estar a deixar muitas organizações sem fins lucrativos para trás.
Mais de 60% podem estar invisíveis
A estimativa é clara: entre 6 e 7 em cada 10 organizações sem fins lucrativos não aparecem ou aparecem mal descritas em motores de busca e assistentes com IA. O problema não está necessariamente na qualidade do trabalho dessas entidades, mas na forma como a sua informação está estruturada, distribuída e preparada para ser compreendida por modelos de IA.
Na prática, muitas continuam a otimizar para a web tradicional e para o e-mail, quando o novo ponto de entrada já pode ser uma resposta gerada por IA, assume a Stratesys.
Da lógica do SEO à lógica das entidades
Esta mudança obriga o terceiro setor a rever a forma como comunica. Já não basta trabalhar palavras-chave e páginas. Torna-se essencial garantir uma descrição consistente da organização, dos seus programas, dos públicos que apoia e do seu impacto, com dados claros, evidências e fontes verificáveis.
Ou seja, a visibilidade passa a depender menos do clique e mais da confiança. Se uma entidade quiser surgir como fonte fiável numa resposta gerada por IA, precisa de estruturar melhor a sua presença digital.
A adoção de IA também já está a acontecer internamente
Ao mesmo tempo, a adoção de IA já está a acontecer de forma recorrente em muitas organizações do terceiro setor, sobretudo em comunicação, angariação de fundos, automatização de tarefas e segmentação de doadores.
O problema é que esta utilização está, muitas vezes, a acontecer de forma pouco formalizada, sem uma estratégia clara de governação de dados e inteligência artificial.
O risco não é só técnico
Privacidade, segurança, desinformação e transparência tornam-se desafios centrais num setor que trabalha frequentemente com públicos vulneráveis e informação sensível. Isto significa que a adoção de IA não pode ser apenas rápida. Tem de ser responsável.
As prioridades para os próximos anos passam por profissionalizar a estratégia de dados, reforçar a presença digital para motores de busca com IA e desenhar experiências omnicanal mais centradas nas pessoas.
O verdadeiro desafio do terceiro setor
A IA já está a mudar a forma como as pessoas descobrem causas, comparam organizações e decidem envolver-se. Para as ONG, isto cria uma oportunidade real, mas também um risco evidente: fazer trabalho relevante e, ainda assim, não ser encontrada da forma certa.
No novo cenário digital, estar online já não chega. É preciso ser compreendido, descrito com clareza e reconhecido como fonte credível. E isso pode fazer toda a diferença entre ganhar relevância ou desaparecer nas respostas geradas por IA.
