As recentes falhas generalizadas nas comunicações e no fornecimento de energia em Portugal trouxeram para o centro do debate a vulnerabilidade das infraestruturas críticas. Para entidades responsáveis por serviços essenciais, a autonomia tecnológica deixou de ser opcional.
A Águas do Douro e Paiva respondeu a esse desafio com a implementação de uma rede telefónica interna própria, baseada em tecnologia VOIP e suportada por uma infraestrutura de fibra ótica dedicada.
Uma rede independente das operadoras
O projeto resultou na criação de uma rede de comunicações totalmente autónoma, assente em cerca de 485 quilómetros de fibra ótica própria e integrada com sistemas de videoconferência e datacenter.
Esta solução permite à organização manter comunicações internas operacionais mesmo em cenários de falha externa, reduzindo a dependência de operadores de telecomunicações.
54 pontos já integrados na nova infraestrutura
A rede está atualmente implementada em 54 pontos estratégicos, assegurando serviço telefónico e comunicação interna em instalações críticas da empresa.
Esta expansão foi possível graças a modernizações tecnológicas e reorganização da topologia das redes realizadas nos últimos anos, preparando a infraestrutura para escalabilidade futura.
Continuidade operacional como prioridade
Para uma entidade responsável pelo abastecimento de água a 22 municípios e cerca de 1,8 milhões de pessoas, a resiliência das comunicações é um fator crítico.
A autonomia operacional permite garantir resposta rápida em situações de crise, assegurando coordenação eficiente entre equipas técnicas e unidades operacionais.
Infraestrutura digital como ativo estratégico
Este investimento demonstra uma tendência crescente: organizações de serviços públicos estão a assumir controlo direto das suas infraestruturas digitais.
Mais do que uma solução tecnológica, trata-se de uma estratégia de mitigação de risco e reforço da segurança operacional.
Num contexto em que a digitalização é transversal a todos os sectores, a capacidade de operar de forma independente e resiliente torna-se uma vantagem competitiva — mesmo para entidades públicas.
