A automação industrial continua a evoluir e, com ela, surgem novos desafios relacionados com a fiabilidade e a flexibilidade dos robôs utilizados nas linhas de produção. Um dos aspetos menos visíveis, mas fundamentais para o seu funcionamento, é o fornecimento de energia aos diferentes eixos de movimento. É precisamente nesta área que a igus apresentou uma nova solução: a twisterchain, um sistema autoportante concebido para simplificar a gestão de cabos em robôs industriais compactos.
O novo sistema foi desenvolvido para responder a limitações frequentemente encontradas em robôs de braço articulado utilizados em operações como montagem, aparafusamento, colagem ou sistemas de "pick and place", permitindo rotações superiores a 600 graus sem necessidade de estruturas adicionais de suporte.
Um desafio persistente na robótica industrial
À medida que os robôs se tornam mais compactos e executam movimentos cada vez mais rápidos e complexos, o encaminhamento seguro dos cabos elétricos continua a representar um desafio para os engenheiros.
Segundo a igus, muitos fabricantes recorrem ainda a soluções improvisadas, como tubos suspensos ou sistemas desenvolvidos internamente, que tendem a sofrer desgaste prematuro ou a limitar a amplitude de movimento dos equipamentos.
O novo módulo twisterchain foi concebido para contornar este problema através de uma calha articulada autoportante que acompanha os movimentos do robô sem necessidade de guias adicionais.
Mais liberdade no primeiro e no quinto eixo
Além de resolver o fornecimento de energia no primeiro eixo do robô, a solução foi também desenvolvida para responder às necessidades dos robôs de paletização no quinto eixo, onde frequentemente não existem sistemas adequados para gerir movimentos rotativos de grande amplitude.
Nestes equipamentos, é comum que os cabos sejam conduzidos pelo interior do braço robótico apenas até ao quarto eixo, obrigando posteriormente à utilização de tubos corrugados sujeitos a movimentos descontrolados e possíveis colisões com ferramentas.
A twisterchain utiliza um movimento controlado em dois níveis que acompanha a rotação da ferramenta, reduzindo o risco de contacto entre cabos, braço robótico e ferramentas de trabalho.
Segundo Matthias Meyer, Diretor da unidade de negócio de calhas articuladas triflex e robótica da igus, esta abordagem permite garantir um fornecimento de energia mais fiável em aplicações com grandes amplitudes de rotação.
Instalação mais simples e maior flexibilidade
Outro dos pontos fortes da solução passa pela rapidez de instalação.
Por ser um sistema autoportante, necessita apenas de dois pontos de fixação no robô, eliminando estruturas de suporte adicionais e reduzindo o tempo necessário para montagem.
As calhas podem ainda ser configuradas de acordo com diferentes tipos de cabos graças a separadores internos ajustáveis e permitem inserir os cabos diretamente pelo exterior, simplificando futuras intervenções de manutenção.
O sistema inclui também um mecanismo de ajuste da tensão em função do peso dos cabos e da amplitude de rotação pretendida, contribuindo para uma maior repetibilidade dos movimentos e estabilidade operacional.
Robótica exige soluções cada vez mais especializadas
À medida que a automação industrial continua a expandir-se, componentes aparentemente secundários, como os sistemas de encaminhamento de cabos, assumem um papel cada vez mais relevante no desempenho global dos robôs.
Soluções como a twisterchain demonstram que a inovação na robótica não depende apenas de sensores, inteligência artificial ou novos braços robóticos, mas também da evolução dos componentes que garantem fiabilidade, durabilidade e liberdade de movimento nas aplicações industriais.
