A inteligência artificial chegou definitivamente ao futebol de alto nível. No Mundial de 2026, a FIFA está a disponibilizar ferramentas de análise avançada a todas as seleções através do Football AI Pro, um assistente conversacional que permite a treinadores e analistas consultar dados do jogo utilizando linguagem natural.
A iniciativa representa um novo passo na democratização da tecnologia no desporto e pode reduzir uma das maiores diferenças competitivas entre seleções: o acesso à análise de desempenho.
A análise de dados torna-se mais acessível
Durante muitos anos, apenas as maiores federações e clubes tiveram capacidade para investir em equipas dedicadas de analistas e cientistas de dados.
Segundo Andrius Kūkšta, Tech Lead da equipa de Investigação e Desenvolvimento da Oxylabs, a utilização de assistentes conversacionais permite que qualquer equipa consulte estatísticas, padrões de jogo ou indicadores de desempenho através de perguntas simples, sem necessidade de conhecimentos técnicos avançados.
Para seleções com menos recursos, esta abordagem pode representar uma vantagem importante na preparação para os jogos.
Mais de 500 pontos de dados por segundo
A inteligência artificial não está presente apenas na análise dos dados.
Durante o Mundial de 2026, a recolha de informação foi reforçada através de tecnologias de tracking que captam mais de 500 pontos de dados espaciais por segundo, recorrendo ao sensor instalado na bola oficial, sistemas óticos de acompanhamento dos jogadores e dispositivos biométricos utilizados pelos atletas.
Toda esta informação é integrada na FIFA Football Data Platform, permitindo disponibilizar estatísticas e análises em tempo real às equipas técnicas e aos meios de comunicação.
A democratização da IA será permanente?
Apesar do avanço registado neste Mundial, permanece uma questão importante: estas ferramentas continuarão acessíveis após a competição?
Para Andrius Kūkšta, o futuro dependerá da capacidade de tornar estas tecnologias financeiramente acessíveis a organizações com menor orçamento.
Enquanto algumas soluções, como plataformas avançadas de análise de vídeo baseadas em IA, poderão continuar reservadas às equipas com maior capacidade financeira, outras tecnologias começam a tornar-se mais democráticas.
É o caso dos dispositivos wearables capazes de monitorizar indicadores físicos e de desempenho dos atletas, que estão progressivamente a reduzir custos e a chegar a um número maior de equipas.
O futebol entra numa nova era tecnológica
O Mundial de 2026 demonstra que a inteligência artificial deixou de ser apenas uma ferramenta de apoio para se tornar parte integrante da preparação das equipas.
A combinação entre análise de dados, monitorização em tempo real e assistentes inteligentes está a alterar a forma como treinadores, analistas e jogadores interpretam o jogo.
Nos próximos anos, a diferença competitiva poderá depender menos da capacidade de recolher dados e mais da forma como cada equipa consegue transformá-los em decisões dentro de campo.
