A Inteligência Artificial está a transformar rapidamente a forma como as pessoas tomam decisões de consumo. Em Portugal, mais de 65% dos consumidores já recorrem a ferramentas de IA para apoiar decisões de compra, sinal de que está a emergir um novo perfil de utilizador: o chamado “consumidor algorítmico”.
Os dados resultam de um estudo recente conduzido pela Consumers Trust Labs, divulgado no âmbito do Dia Mundial dos Direitos do Consumidor, assinalado a 15 de março. O relatório analisou a forma como tecnologias baseadas em IA estão a influenciar o comportamento de compra e a relação entre consumidores, marcas e informação online.
IA torna-se ferramenta de validação antes da compra
Segundo o estudo, realizado junto de mais de mil utilizadores de plataformas digitais de reclamação e avaliação, 65,1% dos consumidores portugueses utilizam já sistemas de Inteligência Artificial para apoiar a escolha de produtos e serviços.
Ferramentas como ChatGPT, Google Gemini ou Grok estão a ser utilizadas não apenas para pesquisar informação, mas sobretudo para validar decisões.
Em vez de confiar exclusivamente em publicidade ou recomendações tradicionais, os consumidores recorrem a algoritmos para comparar alternativas, analisar reputação de marcas e identificar possíveis riscos antes de concluir uma compra.
Mais informação, decisões mais conscientes
O impacto da IA no comportamento de consumo parece ser significativo. Cerca de 72% dos participantes afirmam que a utilização destas ferramentas melhorou a forma como compram, incentivando mais pesquisa, análise crítica e decisões mais informadas.
Neste contexto, a tecnologia assume um papel semelhante ao de um “consultor digital”, ajudando o consumidor a filtrar informação e a evitar decisões impulsivas.
Mais do que rapidez, o principal benefício apontado pelos utilizadores é a melhoria da qualidade da decisão de compra.
Confiança depende da qualidade dos dados
Apesar da crescente utilização da IA, a confiança nestas ferramentas continua a depender fortemente da qualidade da informação que as alimenta.
Mais de 76% dos inquiridos consideram essencial que os sistemas de IA utilizem dados reais, atualizados e baseados em experiências concretas de consumidores. A transparência e a credibilidade das fontes tornam-se fatores determinantes para a utilidade destas tecnologias.
Plataformas que agregam avaliações, reclamações e experiências reais de utilizadores ganham assim relevância no ecossistema digital de consumo.
Publicidade tradicional perde influência
Outro dado relevante do estudo revela que a publicidade está a perder centralidade no processo de decisão. Cerca de 76% dos consumidores afirmam depender tanto ou mais de informação imparcial e de experiências reais de outros utilizadores do que de campanhas publicitárias.
A Inteligência Artificial funciona, neste cenário, como um filtro crítico. Ao analisar grandes volumes de informação e opiniões, ajuda os consumidores a distinguir entre promoção comercial e evidência baseada em dados.
Um novo paradigma no consumo digital
O surgimento do “consumidor algorítmico” demonstra que a IA está a alterar profundamente a relação entre marcas e consumidores. O acesso a ferramentas de análise e comparação torna os utilizadores mais informados, exigentes e conscientes das suas escolhas.
Para empresas e organizações, este novo cenário implica maior transparência, reputação digital sólida e informação verificável.
Num mercado cada vez mais orientado por dados e tecnologia, a Inteligência Artificial deixa de ser apenas uma inovação tecnológica — passa a ser também um instrumento de defesa e capacitação do consumidor.
