A Blip, empresa tecnológica sediada no Porto e especializada no desenvolvimento de software para apostas desportivas e casinos online, iniciou um processo de despedimento coletivo que poderá afetar pelo menos 84 trabalhadores em Portugal.
Segundo informações avançadas pelo Jornal de Notícias e pelo Observador, os colaboradores foram informados por email e terão recebido um prazo de 72 horas para negociar as condições de saída. A decisão surge no contexto de uma reestruturação internacional da Flutter Entertainment, grupo ao qual pertence a Blip.
Trabalhadores receberam 72 horas para negociar condições de saída
A comunicação sobre os despedimentos começou a chegar aos trabalhadores na quarta-feira, 21 de outubro, através de email.
De acordo com o Observador, um funcionário da Blip, que pediu anonimato, revelou que os colaboradores receberam um prazo de 72 horas para tentar chegar a acordo com a empresa relativamente às condições de saída.
O trabalhador considerou insuficientes as condições propostas e afirmou que a contraproposta apresentada não foi aceite.
Perante a ausência de acordo, admitiu aguardar pelo desenvolvimento do processo formal de despedimento coletivo, procurando salvaguardar o acesso ao subsídio de desemprego enquanto procura uma nova oportunidade profissional.
As reuniões gerais destinadas a esclarecer a situação começaram na quinta-feira, 22 de outubro, ao final da tarde.
Departamentos de qualidade e produto entre os mais afetados
Os cortes deverão afetar diferentes áreas da tecnológica, com particular incidência nos departamentos de qualidade e produto.
A dimensão da redução de pessoal está também a gerar preocupação entre os profissionais que poderão permanecer na empresa.
Segundo o testemunho recolhido pelo Observador, alguns colaboradores ponderam procurar novas oportunidades de emprego, perante a possibilidade de futuras reestruturações.
A situação coloca assim desafios não apenas aos trabalhadores diretamente abrangidos, mas também à estabilidade das equipas e à continuidade dos projetos tecnológicos desenvolvidos pela empresa.
Reestruturação da Flutter Entertainment prevê cortes em vários países
O processo de redução de pessoal na Blip integra uma reestruturação mais abrangente da Flutter Entertainment, multinacional que detém a tecnológica portuguesa.
Segundo as informações divulgadas pelo Jornal de Notícias e pelo Observador, o grupo prevê eliminar cerca de 1.400 postos de trabalho a nível internacional, justificando a decisão com o aumento da carga fiscal sobre as apostas desportivas e os casinos online.
Além de Portugal, estão previstos cortes em Malta e na Roménia. No Reino Unido, deverá decorrer uma fase de consulta antes de serem tomadas decisões definitivas sobre os postos de trabalho.
A dimensão internacional da reestruturação evidencia as mudanças que estão a afetar as operações do grupo em diferentes mercados.
Blip conta com mais de mil trabalhadores no Porto
Fundada em 2009, a Blip está sediada na Avenida de Camilo, na zona do Bonfim, no Porto, e conta com mais de mil trabalhadores, segundo a informação disponibilizada no seu website.
A empresa desenvolve soluções tecnológicas para o setor das apostas desportivas e do entretenimento online, integrando a estrutura internacional da Flutter Entertainment.
De acordo com o testemunho recolhido pelo Observador, os trabalhadores já vinham a sentir alterações na organização interna, incluindo uma maior pressão para cumprir prazos e mudanças nos períodos anteriormente dedicados à investigação e inovação.
O funcionário referiu ainda que, antes do anúncio do despedimento coletivo, já tinham ocorrido saídas e tentativas de negociação de acordos individuais.
Perante o atual cenário, alguns profissionais estarão a procurar aconselhamento jurídico e a contestar as condições propostas.
O processo representa um momento de incerteza para os trabalhadores da Blip e para a operação portuguesa da Flutter Entertainment, numa altura em que a empresa enfrenta uma reestruturação com impacto em diferentes países.
À data das notícias consultadas, não estava confirmado um número definitivo de despedimentos em Portugal, sendo os 84 trabalhadores o mínimo inicialmente apontado.
